30 de mar. de 2006

23 de mar. de 2006

Zombaria

Faz tempo
que nao me lembro...
por existir mais do que vivo
-me arrisco-
persigo à cata de migalhas
em tempo que nao persigo...

Por nada mais poder falar,
passei a recolher palavras ao vento...
-tosca mania-
de assoprar linhas tortas
em papeis na ventania...


Cida Sousa

21 de mar. de 2006

Aclarando

Curto poema curto
em linhas tortas,
em desalinho...
Curto poema que molha
a cara da gente em dias tristes
e faz o coraçao amolecer...
Curto poema sem saber porquê...
Curto poema direto
que bate na alma e vagueia
por aí, sem rumo certo...
Curto poema imperfeito, sem rima , sem métrica,
sem saber direito se o coraçao suporta a dor...

Cida Sousa
2004

19 de mar. de 2006

Procuro manhãs...




Procuro manhãs...
que me encantem,
que devorem incertas noites ...
Se as desejo, que venham mansamente
e invadam minhas entranhas de auroras madrugadoras...

Tenha urgência de manhãs,
como o mar tem urgência de vivas ondas...
Se se distanciam as manhãs,
as busco noite afora,
como se buscam novos caminhos ventos perseguidores,
perseguidores de destinos...

Me enternecem as manhãs,
por isso as procuro incansavelmente,
dia após dia,
como áridos sertões
procuram por chuvas...
e suplicam por suas carícias ...
"carícias de suas gotas glaciais..."

Cida Sousa

18 de mar. de 2006

LIBERDADE



- voar e não mais voltar...
percorrer espaços,
esquecer laços..
Perder-me talvez... de vez...

-voar pra ver quão lassos
eram os laços
passados...
e conquistar com livres asas
a amplidão de um novo
espaço.

Cida Sousa e Maju Costa

17 de mar. de 2006

Lamento de uma sexta feira

Cansei de viver a esmo..
Cansei de encarar essa parede amarela,
essa tela do computador,
minha mesa de trabalho ...

Os dias dançam à minha frente,
a vida se amarela...
Meus olhos anseiam por horizontes multicores,
meus sonhos teimam em me rondar...

A tela ,
O computador ,
Com tanto espaço a me esperar
e eu , aqui, a digitar ...

Cansada,
falho,
Nao consigo tecer poesia ,
em minha mesa de trabalho...

Cida Sousa

14 de mar. de 2006

Crônica de um dia chuvoso ( ou “Pé de Pato, Mangalô”,)

Depois de uma noite mal dormida com sonhos (sonhos não, pesadelos) ruins não se deve sair de casa.
Ainda mais com chuva... Com chuva o dia torna-se típico pra se ficar em casa dormindo o dia todo.
A primeira coisa que fiz hoje foi bloquear minha senha eletrônica, senha essa já com uns dois anos de uso e eu hoje simplesmente esqueci.
Só eu faço isso... (será?)
Depois tentei desbloquear no caixa eletrônico e acabei bloqueando tudo em definitivo com direito até a mensagenzinha estúpida "contate sua agencia para desbloquear.."
Vou ter que ir até minha agência para desbloquear ou criar uma nova, não quero mais desbloquear nada ,quero uma senha nova!
Achei que por hoje estava ótimo para terminar o dia, mas depois fui copiar uns arquivos de imagens em dvd , coisa mais simples do mundo. Faço isso todos os dias.
Seria pedir demais se tudo fosse normal hoje...
Os arquivos importantíssimos que minha "chefa" precisava...
E aí o maldito telefone n tocou, e eu com a mania de fazer as coisas falando no telefone acabei deletando tudo.
Cruzes, hoje não dá pra se fazer mais nada!
Bem , depois de o leite derramado só se resta limpar o chão ( ou chamar o gato , diria minha mãe) e agora vou ter que dar a grande notícia a ela...
Pensei em ligar, pelo telefone seria mais seguro...
Mas ela acabou entrando em minha sala e fiquei imaginando como falar a ela o que tinha acabado de acontecer.
Podia dizer a ela que simplesmente o dvd caiu, arranhou e não se consegue ler o conteúdo...
Podia inventar uma mentira qualquer, mas a besta aqui não consegue .
É lógico que falei a verdade, que deletei sem querer...
Fazer o quê, o arquivo já era mesmo e quem fala a verdade não merece castigo (acredito eu).
Falei devagarzinho, bem devagarzinho para não deixar ela tão chocada, mas falei a verdade.
Depois de fazer cara de espanto, terror e "não é possível" ela aceitou a idéia de que não se podia fazer mais nada mesmo.
Essas coisas só acontecem comigo? (será?)
Bem, acho que posso terminar o dia aliviada depois dessa...
Só espero chegar em casa inteira hoje, tomar meu banho, fazer um lanche e deitar em minha cama quentinha, com direito a todos os meus gatos juntos comigo,
e fingir que esse dia simplesmente nunca existiu...

Cida Sousa

Resolução




Cansei de enganar primaveras.
Outonos menos cinzentos, eu encomendei.
Teci manhãs mais sorridentes, que ofuscassem meus invernos de tardes mortas...
Passei então a enganar noites de verão, para não morrer sem conhecer auroras boreais...

13 de mar. de 2006

Meu decreto



Todas as manhas nascerão encantadas
Como borboletas, de hoje em diante, a elas será permitido todas a cores...
Todas as manhas já nascerão livres.
Livres e encantadoramente primaveris...


Cida Sousa

9 de mar. de 2006

No caminho do bem-te-vi





O sol acordou torto... como eu...
Não abriu a janela,
não fez mais alguns minutos extras na cama,
nem respirou profundamente quando me viu entrar cabeça baixa nas profundezas de seus raios...
Ignorei seu desprezo e frieza e segui adiante...
Levantei-me,
fiz minha ginástica matinal,
refresquei-me no chuveiro, ainda sonhando com outro caminho...
bem-te-vi...
Vesti-me como costume,
alimentei meus bichos,
tomei meu café,
botei o lixo pra fora...
Peguei minha bolsa e segui o caminho de sempre...
Lá de cima agora
ele me olha como se eu fosse uma qualquer...


Cida Sousa

8 de mar. de 2006

Prá nunca desistir de ser mulher

( Texto de Magali Moraes)


Coloque um espelho no meio do meu caminho entre a lavanderia , o supermercado, o colégio e a locadora.
E que, ao me olhar, eu goste do que veja.
Não deixe que eu passe uma semana sem usar um batom bem vermelho, uma bota bem alta ou um jeans bem justo. Proteja meus cachos do vento e os brincos dos olhares invejosos.
Que nunca faltem na minha vida comédias românticas e boas depiladoras. Deixe que eu fecho os registros e as janelas. Mas , por favor, abra algumas portas. Se eu estiver com vontade de chorar, faça com que eu chore um dilúvio. E que tenha saído de casa sem pintar o olho.
Para cada dia de TPM, me dê uma vitrine com sapatos lindos.
Já que eu nunca pedi milagres, faça com que minha celulites sejam ao menos discretinhas. Me dê saúde, tempo livre, silencio.
E um dermatologista de confiança.
Também vizinhos tolerantes que não perguntem por que eu corro na esteira depois de meia-noite .
Dê forças para eu insistir que meus filhos comam salada, digam obrigado, limpem a boca no guardanapo, façam as pazes e puxem a descarga. Cegue meus olhos para a sujeiras dos cantos e os brinquedos no meio da sala.
Não deixe que a minha testa fique franzida como uma saia plissada.
Ajude para que eu chegue do trabalho e ainda consiga brincar , fazer cosquinha, pintar dentro da linha preta. E se eu não tiver a menor condição de me manter em pé, faça com que as crianças voltem dormindo da escola. Dê firmeza para os meus seios e os meus argumentos. Entenda se eu pintar as unhas e roer tudo depois. Faça com que o sol seja meu personal trainer, meu complexo de vitaminas,meu carregador de baterias – mas quando eu pedir um diazinho de chuva, não pergunte por quê. Afaste os homens que não elogiam e os que buzinam antes de abrir o sinal. Proteja minha poucas horas de sono e não me julgue mal caso eu não acorde de madrugada para cobrir meus filhos. Que o trabalho não seja bom somente no dia do pagamento. Para cada batata quente, me dê um café recém-passado. Ilumine o espelho do banheiro e proteja minhas pinças, meus cremes e segredos. Entenda quando eu rezo para cancelarem uma reunião – não é gastar reza à toa, pode ter certeza. Faça com que eu siga a dieta e a intuição. Ajude a não faltar gasolina, não furar pneu, não arranhar calota. E afaste os motoqueiros do meu retrovisor. No meio de tudo isso, faça com que eu ache tempo para virar namorada de novo, ir ao cinema, jantar fora, beijar na boca, dormir abraçadinha.
Por mais complicado que seja meu dia, faça com que ele termine. E não eu.

7 de mar. de 2006

Desígnios...




Vontade de um novo dia,
uma poesia,
um vestido de festa,
uma fragância discreta,
uma janela aberta...

Vontade de um mar azul,
um amor galante
um beijo de amante,
vontade de viver assim...
uma vida errante,
sem me esconder de mim...

Vontade de nao perceber
o ensandecer
dessa tosca vida
sem florescer...


Cida Sousa

6 de mar. de 2006

Torto caminhar

Ando saudosa
de partidas
e voltas.
Meio relogio que olha
horas infindas de esperas ...

Ando assim
meio cachorro carente
de carinhos de dono...
Incompleta ,
feito passaro na gaiola,
que nunca sentiu o gosto de liberdade...
Ando meio termo,
página rasgada,
livro inacabado,
poema sem rima...

Ando dor,
em invisiveis recantos,
à espera do bálsamo confortador...

Ando tanto
e nao me encontro...
Tão sem canto
e ainda me espanto
quando penso que me refaço ao caminhar...

Cida Sousa

5 de mar. de 2006

Amanheceu...




Auroras doces; manhãs rotineiras, tardes ensurdecedoras, noites enluaradas...
Dias tristes, dias tristes, dias tristes...

Cida Sousa

2 de mar. de 2006

Minha Cria

Crio crias em noites frias
versos soltos,
terapia
de minh’alma vazia...

Cida Sousa©

em Infinitus